sábado, 3 de agosto de 2013

Cristãos X Homossexuais (opinião)

Dois filhotes machos brincando.
Existem momentos na vida em que não podemos nos calar. Tenho visto uma guerra acontecendo no Facebook e fora dele tbm. É uma guerra de homossexuais e evangélicos. Li no FB uma crítica muito interessante: Se evangélicos criticam a homossexualidade são preconceituosos, mas se for o Papa está tudo bem.
Quero deixar claro que sou evangélica e heterossexual, mas não concordo com algumas atitudes de ambos os lados. Tenho vários amigos diferentes: candomblecistas, homossexuais, bissexuais, espíritas, católicos, ateus, agnósticos, e por aí vai. Todos eles acham engraçado eu trata-los bem e não recrimina-los por suas escolhas.
Primeiro ponto: apesar de ser evangélica, acredito que a religião seja um modo de nos reunirmos com o mesmo propósito de adorar a Deus. Segundo ponto: eu não sigo uma religião, sigo os ensinamentos de Deus e ele diz que devemos nos reunir a outros irmãos pra adorá-lo, aprender sobre seus ensinamentos e ensiná-los aos que não conhecem (Mateus 28. 19-20, Marcos 16.15, Lucas 9. 56 e Lucas 24.47) e não pra perseguir aqueles que não seguem seus mandamentos. Terceiro ponto: Jesus diz que podemos resumir os 10 mandamentos em apenas dois – Adorar ao teu Deus acima de todas as coisas e amar ao teu próximo como a ti mesmo (Mateus 22. 34-40, Marcos 12. 28-34 e Lucas 10. 25-28).
Bom, acho que está aí a raiz de todos os problemas que temos visto de briguinhas infantis entre religiões e os homossexuais. Acontece que cada vez menos temos nos amado. Num mundo dominado pela tecnologia, temos cada vez mais nos “maquinizado”. O mercado diz que temos que ser tão ou mais eficientes que as máquinas e isso significa que precisamos ser cada vez mais produtivos. Desta forma, precisamos estar sempre saudáveis e disponíveis, a palavra não posso tem que ser abolida e substituída por pode deixar que eu posso dar conta de tudo.
As pessoas não tem se amado, tem se maquinizado de uma forma cruel. Vivemos sob um constante estado de culpa, pois não somos máquinas, somos seres humanos, passíveis de falhas e de ficar doentes. Mas há um sentimento de culpa absurdo. Se não batemos ou ultrapassamos as metas impostas, não somos bons o suficiente. Se ficamos doentes por trabalhar excessivamente, somos fracos. Se não abrirmos mão do nosso prazer pra cumprir nossas obrigações com o trabalho, somos ineficientes. E por aí vai. Cada vez mais o descanso e o prazer tem sido relegados a último plano para darmos conta de uma sociedade cada vez mais massacrante e acabamos por reproduzir isso nas relações com o outro.
Quantas vezes nosso corpo nos pede um pouco mais de calma, e para dar conta de todas as nossas tarefas nos recusamos a ouvi-lo e adoecemos? É hora de quebrar com esse julgo. Na verdade passou da hora de rompermos nossos grilhões e aprendermos a nos amar de verdade.
Aprendemos a julgar o outro por aquilo que nosso grupo supõe como certo, sem nos darmos conta que nossa verdade não pode ser imposta ao outro. Ou ele acredita, ou não acredita. Assim, nos esquecemos cada vez mais dos ensinamentos de Jesus, que é não olhar para o pecado do outro, mas olharmos com amor para nosso irmão (I João 4. 7-8, Mateus 5. 43 a 48 e Lucas 6. 32-36). Lembro de algumas passagens bíblicas que mostram esse ensinamento. Uma delas é quando uma mulher pega em adultério (João 8. 1-11) é levada para que Jesus diga se a lei de apedrejá-la deveria ser cumprida. Jesus simplesmente se abaixa e começa a escrever na areia, no que os acusadores da mulher começam a sair um por um.
A Bíblia não nos diz o que Jesus escreveu, mas acredito que ele tenha começado a listar uma série de pecados cometidos por aqueles acusadores. Quantas vezes no afã de parecermos corretos não estamos julgando o outro? Quantas vezes nós também não erramos?
Após todos se retirarem, só ficou Jesus e a mulher adultera. Ele perguntou a ela onde estavam os seus acusadores e disse-lhe que fosse embora e que não pecasse mais. Se aquela mulher voltaria a adulterar ou cometer qualquer outro pecado, a responsabilidade era dela e não de Jesus. Ele fez a parte dele, amou-a como amava a sim mesmo, cumprindo o mandamento de Deus.
Acho que precisamos aprender a nos amar, para amarmos o outro. Precisamos nos ver livres da culpa que nos encarcera e nos faz viver a partir de rótulos. Precisamos aprender a olhar o outro sem julgar. Ao julgarmos, deveríamos nos julgar e verificar se também não estamos errando de algum modo (Mateus 7. 1-5, Lucas 6. 37-38 e 41-42). Se o nosso amor não for capaz de ajudar o outro a mudar, devemos entregar a vida do nosso próximo a Deus em oração e não através de perseguição (Mateus 18. 15-22).
Os cristãos devem lembrar que durante muito tempo e até hoje são vítimas de perseguição. Não sejamos o oprimido que virou opressor, mas sejamos maiores que isso (Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido). O apóstolo Paulo em sua carta aos éfesios diz que nossa luta não é contra a carne e o sangue, ou seja, não é contra o nosso próximo, mas contra as potestades e satanás. Logo, peço que os cristãos aprendam a não julgar e condenar, isso é tarefa de Deus e não nossa. Que possamos amar e respeitar, assim como Deus nos amou, para que através do amor e não da guerra possamos cumprir o mandamento de Jesus que diz: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. Vamos pregar o evangelho do amor que nos foi pregado.

Desculpem-me por ser tão prolixa, mas precisava expor meus pensamentos. Espero que meus leitores consigam entender meu ponto de vista. Falo especialmente para os cristãos por ser uma, mas espero que os outros possam aproveitar um pouco da minha mensagem.

terça-feira, 25 de junho de 2013

SOBRE MOSQUITAS E INSÔNIA

         Noite tranquila, depois de muita agitação. Bebê dormindo, marido dormindo e eu com a enorme vontade de escrever. Mas vamos aos fatos. Dizem os pesquisadores de insetos que apenas a fêmea do mosquito é bebedora de sangue, sendo o macho bebedor de seiva. Então a criatura que me impediu de dormir era uma fêmea que preferia meu sangue ao do meu marido.
         Insônia é um dos meus nomes. Quando não estou trabalhando não consigo dormir cedo, por mais que eu tente. Se por um milagre consigo dormir cedo, não mantenho o sono, acordando várias vezes durante a noite. Uma pesquisa norte-americana mostrou que os casais apresentam mais dificuldade para dormir. Desses, as mulheres são as que menos dormem. E são vários os motivos, desde problemas com ronco até pequenas idiossincrasias de cada um. Um exemplo de idiossincrasia é a de uma conhecida, cujo marido é muito calorento e não consegue dormir sem o ar condicionado ligado. Ela morre de frio e dorme coberta, enquanto o marido curte um fresquinho. Outro exemplo que conheço é de um casal que a mulher adora dormir esparramada na cama, enquanto o marido adora dormir abraçadinhos. Ela fica acordada até que o marido durma, pra enfim de desvencilhar dele e poder dormir sossegada.
Aqui em casa, não consigo dormir sem meus três amantes. Deixe-me explicar: primeiramente a culpa é da minha antiga fisioterapeuta. Tive uma pequena fratura na 5ª vertebra lombar e ela me aconselhou a dormir com um travesseiro entre as pernas pra alinhar a coluna, já que gosto de dormir de lado. Na época da minha segunda gestação, a médica recomendou que eu colocasse um travesseiro embaixo dos pés para evitar vasos nas pernas.
         Acho que vocês já entenderam que meus amantes são os travesseiros que uso pra dormir. Esse apelido carinhoso foi dado pelo meu marido. No inicio ele odiava meus “amantes”, hoje fazemos um ménage a trois na hora de dormir, se bem que ménage a trois pressupõem três e somos seis: dois humanos e quatro travesseiros, logo não se trata de um ménage, mas uma suruba. Rssssss
         Agora voltando às vacas magras, porque com a crise econômica em que vivemos, as gordas estão difíceis de encontrar.
         Existem no mercado vários mecanismos para matar ou espantar os mosquitos, mas nenhum de comprovada eficiência que nos fizesse livres desses seres chatos, que ainda transmitem doenças. Noite tranquila, todos dormindo e toda vez que Morpheus vinha me beijar, eis que a mosquita desagradável vinha me pertubar com seu zunido chato nos meus ouvidos. Vira pra cá, vira pra lá e quando encontro uma posição boa pra dormir, a bendita vem e pousa no meu nariz. Pior de tudo é não poder ligar o computador pra não acordar o marido que dorme pesadamente do meu lado. Olho pro berço, Pulluca dormindo tranquila. Fecho os olhos e vem à cabeça a série de coisas que tenho que fazer durante a semana. Lembro da prova que tenho no sábado e que tenho que ligar pra minha irmã comparecer comigo pra guardar a bebê durante o curso da prova.
         Penso nos carneirinhos e nas vaquinhas pastando em algum lugar bonito. Lembro novamente que há ainda muita coisa pra estudar pra prova e começo a lembrar do que ainda tenho que analisar, das coisas que tenho que organizar e do cardápio do almoço. Lembro do arrastão perto da minha casa, da cara de aflição da vizinha pedindo pra eu entrar depressa com as crianças. Da guerra urbana se está sendo travada no local onde moram meus amigos e parte da minha família. Mente vazia pode até ser oficina do diabo, mas mente cheia, com certeza, não é oficina do sono. Consigo lembrar o som das ondas do mar e Morpheus vem novamente tentar me beijar. A mosquita dos infernos volta a zumbir nos meus ouvidos sua canção chata e maçante.

         Olho o celular, são quatro horas da manhã e nada de sono. Pulluca acorda, penso em amamentar e coloca-la de volta no berço, mas desta vez, Morpheus consegue me beijar e embarco com ele. Pouco tempo depois o alarme me acorda, lembrando minhas obrigações. Hora de acordar os homens da casa para irem pra escola e para o trabalho. São cinco horas e quarenta minutos. Eu juro que tento dormir, mas está cada dia mais difícil unir meu ciclo circadiano aos meus compromissos e ao ciclo do dia.

terça-feira, 9 de abril de 2013

A PODA DOS GALHOS MORTOS

Revisando meus escritos, encontrei uma postagem que não publiquei. Embora esteja defasada com o momento, achei interessante postar. Palavras só ganham vida se tiverem leitores. Espero que os agrade.

A poda dos galhos mortos


 Desde outubro a única coisa que tenho feito pelas minhas plantinhas é colocar água nelas. Durante muito tempo não tive vontade, paciência ou qualquer outro sentimento, para realmente cuidar delas. Outro dia, resolvi que tiraria a poeira que pairou sobre minha vida. A parte mais difícil de uma decisão é o começo. Perceber o que devemos mudar é, relativamente, fácil. Ouvi por diversas vezes nas minhas três décadas que para começar só começando. Mas a pergunta que acredito que todos se façam diante da execução de algo complexo é: por onde começar?

Geralmente sou bem objetiva, mas como qualquer ser humano, há momentos em que as coisas me parecem um pouco mais difícil do que eu imagino que seja. Ou talvez minha percepção esteja equivocada e minha aparente razão não seja capaz de criar um nexo causal pra iniciativa tomada. De qualquer maneira, o começo é sempre mais difícil. O primeiro passo é sempre o mais demorado e complicado. Antes de dar os primeiros passos, o bebê ensaia várias vezes. O que para nós se dá de forma rápida, para eles é um processo longo. O tempo passa para todos de maneira muito particular. O bebê avalia sua capacidade de andar, tenta levantar-se e manter-se de pé. Ele só caminha pela primeira vez quando se sente totalmente seguro, e nos brinda com uma surpresa maravilhosa.

Para os judeus e alguns outros povos, a entrada de uma loja ou casa deve estar sempre limpa, não apenas por ser o cartão de visitas do local, mas porque se estiver suja, ao adentrar a sujeira virá junto. Em alguns lugares não se entra de sapatos, que são deixados na porta. Pensando nisso, resolvi começar minha faxina por fora, pela minha casa. Mas dentre tantas coisas a se fazer o que faria primeiro?

Pensei ser um bom momento para cuidar daqueles que eu desejava trazerem cor pra minha vida. Em todos os lugares que eu já morei, este apartamento para o qual eu mudei é o único cuja pintura é toda branca. Já morei numa casa cor de rosa, mas branco nunca. Tenho uma pseudo varanda, toda branquinha. Meu prédio é um antigo com estilo clássico. Passei num mercado e comprei várias flores e plantinhas para enfeitar minha varanda e torná-la mais agradável. Para mim uma casa muito clean é desumana. Seres humanos são seres multifacetados, coloridos e heterogêneos, e isso não combina com um ambiente muito...branco.

Assim, comecei meu trabalho de reorganização pelas minhas plantinhas. Enquanto as podava, percebi que muitas vezes precisamos nos podar. Precisamos ver quais os galhos, flores ou folhas precisam ser retirados de nós para que mantenhamos nossa saúde. Quando insistimos em manter determinadas coisas que nos fazem mal, ficamos mais feios. Um amigo que esteve na minha casa me falou que minhas amigas verdes estavam morrendo secas. As partes mortas estavam tão evidentes que mal conseguíamos ver as pequenas ramagens nascendo por baixo das folhas e dos caules ressecados.

Na vida, temos muitos sentimentos que precisam ser podados pra não atrapalharem os sentimentos bons que precisam de espaço pra crescer. Esse movimento precisa ser constante. Uma amiga me disse que para ter um bom fim de semana sentia que precisava beber uma cerveja com o marido pra poder esquecer dos problemas do trabalho. Carregamos muitos fardos na vida. Ontem, enquanto levava meu filho pra escola um homem praguejava aos berros o fato de algumas pessoas tratarem os outros como burros de carga. Na vida social somos obrigados a engolir muitos sapos, represar sentimentos e ocultar nossos desejos em prol da coletividade. Mas no longo prazo isso não é bom.

Quem nunca sentiu os ombros pesados como se carregássemos o mundo nas costas como Atlas?

Ou quem nunca sentiu como se, durante todo o dia, carregasse grandes e pesados blocos de pedras, para depois vê-las retornar ao lugar inicial para que as carregássemos novamente como Sísifo?

Esses sentimentos acumulados são tão danosos quanto os vícios nas drogas lícitas e ilícitas. De tempos em tempos precisamos realizar nossa poda, eliminando aquilo que não está bom para ter mais espaço pra coisas boas nascerem em nós. Quando estamos muito ocupados pensando no que fazer para resolver um problema, não vemos muitas soluções. Quando nos distanciamos do problema, quando nos ocupamos de outras coisas, nosso cérebro é capaz de nos mostrar respostas muito criativas e eficientes. A poda funciona mais ou menos da mesma maneira.

Mas como faríamos essa poda? De quanto em quanto tempo devemos fazê-la?
Longe de sermos loucos ou medíocres, acreditando sermos mais do que realmente somos capazes de ser. Acredito que quando nos vemos tristes, inseguros, solitários ou simplesmente cheios de tudo, esse é o momento em que a poda já passou da hora de acontecer. Nessas horas a poda é mais do que necessária, é urgente.

O ideal é que nós nos despíssemos todos os dias de nossos personagens na vida e fossemos dormir completamente despido de nós mesmos e de todo o resto. Algumas pessoas olham pra trás e dizem de alguma maneira quando saem do trabalho que o que aconteceu lá permanece lá. Isso me lembra uma cena muito interessante do filme sobre Carlota Joaquina – Princesa do Brasil da diretora Carla Camurati, onde a princesa retira os sapatos, jogando a areia fora e dizendo que desta terra não queria sequer o pó. Deveríamos fazer isso todos os dias, como um ritual de purificação, semelhante àquele que os católicos fazem ao passar em frente a uma Igreja ou adentrá-la.

Não quero, contudo, dizer que tudo de ruim que nos acontece deva ser negligenciado e relegado ao esquecimento total. Apenas que devemos aprender a dar a importância devida a cada coisa e depois seguirmos em frente. Novos aprendizados são sempre válidos, quer seja pelas coisas boas que nos acontecem, quer seja pelas más. O que importa é não se deixar endurecer pelas tristezas e decepções, mas manter o espírito sempre jovem e cheio de amor.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

RITO DE PASSAGEM – ANO NOVO



Já faz algum tempo que o rito de passagem de um ano para o outro não me encanta mais. Ano velho, ano novo, parecem mais metáforas do que algo real. O que esperar do ano que ainda não começou? Será que a repetição dos meses e dias não serão os mesmos?
 A maioria das pessoas faz promessas que nunca vão cumprir. Ano após ano, as pessoas preferem esperar um milagre que torne a vida mais fácil, que faça com que seus sonhos se realizem, do que investir e lutar para obterem suas conquistas. Não estou dizendo que milagres não acontecem, mas somente esperar não adianta, precisamos rever nossos conceitos diariamente, rever nossas opiniões e trabalhar duro pra que nossos sonhos se realizem, para sermos melhores do que éramos.
Não posso dizer que o ano que está findando tenha sido ruim ou bom. Foi um ano de muitas lutas, muitas conquistas... Um ano montanha russa, do mesmo modo que os anos anteriores. Em 2012, casei, engravidei e recebi de Deus o presente de uma filha linda. Comecei a pós-graduação tão desejada. Tive que mudar várias vezes meus planos no trabalho por conta de uma série de fatos, muitas vezes inerente a minha vontade. Meus filhos conseguiram entrar em boas escolas públicas. O que mais eu poderia esperar?
O próximo ano trará consigo uma série de novos desafios, lutas e vitórias. Como numa roda gigante, haverá momentos bons e ruins, momentos de altos e baixos. Em 2013 pretendo realizar muitos novos sonhos: um curso de alfabetização de crianças, talvez iniciar meu pré-projeto de mestrado, estar mais próxima dos meus filhos... Enfim, palavras que serão pequenas se eu não transformá-las em ações.
Assim, termina o ano de 2012 e se inicia o ano de 2013, com todos os mesmos dias, meses e anos se repetindo numa sincronia infinita... Ou até que a humanidade resolva mudar sua forma de contar o tempo.
Pra terminar, desejo a todos os amigos e não amigos, uma boa virada de ano. Que no próximo ano possam desfrutar de novos desafios, nossas propostas de caminhos, novas realizações.

MODINHA
Cecília Meireles
Tuas palavras antigas
deixe-as todas, deixe-as,
junto com as minhas cantigas,
desenhadas nas areias.

Tantos sóis e tantas luas
brilharam sobre essas linhas,
das cantigas – que eram suas –
das palavras – que eram minhas!

O mar, de língua sonora,
sabe o presente e o passado.
Canta o que é meu, vai-se embora:
que o resto é pouco e apagado.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

SIMPLESMENTE SIMPLES


        Há momentos em que a tranquilidade parece ser a maior necessidade de nossas vidas. Mas como ser tranquilo num mundo onde a pressa pede pressa, onde as pessoas andam de forma rápida e sem olhar para o lado. Como ser tranquilo, num mundo onde as cores do verão não são apreciadas pela maioria das pessoas apressadas que mal olham para o céu. A vida para elas é tão corrida que não podem contemplar a beleza do dia ou mesmo a preciosidade de uma chuva no final de um dia de sol.
       Muitas vezes não é a questão da pressa, mas o cansaço de um dia de correria e luta, que não permite que olhemos as pequenas grandes coisas da vida. O mau humor no trânsito nos impede de ouvir uma criança dizendo com sua voz doce e alegre à avó que a ama. Ou quem sabe compreender que a tranquilidade diante do inevitável não é abster-se de lutar, mas permitir que as coisas tomem seu rumo natural. Devemos lutar até o fim pelo que acreditamos, mas quando essa luta no decorrer do tempo perde seu significado original e nos esquecemos de nosso propósito, ela deixa de ser nobre e passa a ser em vão.
        Acreditar é algo que deve preceder qualquer luta, mas isso não significa que não podemos mudar de opinião. Somos pessoas, seres imperfeitos buscando uma perfeição quase utópica. Devemos entender nossas limitações, sem deixar de buscar melhorar nossas fraquezas e falhas, mas sem transgredir nossos sentimentos. A vida é uma sucessão de cenas maravilhosas e há momentos em que devemos nos permitir olhar intimamente para elas, apreciá-las e saboreá-las como a um prato saboroso, que comemos devagarzinho para atrasar o fim, apreciando cada pedaço como se fosse o último.
        Seria bom, se ao menos uma vez nessa semana corrida que temos, todos pudéssemos parar um pouco e olhar algo novo que não tínhamos visto por causa da pressa ou do cansaço. Mesmo que esse novo seja apenas a janela que sempre existiu no hall do consultório médico e que você nunca reparou que existia.     

terça-feira, 18 de outubro de 2011

PESSOAS BRILHANTES

Ouvi certa vez a citação de Dick Corrigan que diz: Pessoas brilhantes discutem ideias. Pessoas medíocres discutem coisas. Pessoas pequenas discutem sobre outras pessoas". Fico impressionada com a quantidade de blogs e livros de pessoas pequenas, que só sabem discutir a vida de outras pessoas. Acham-se tão superiores, ou querem parecer tão superiores que precisam elogiar-se na frente dos outros para tentar provar que são superiores, para receberem elogios. Elas só sabem reclamar da vida, do quanto são injustiçadas, do quanto os outros são burros e incapazes de usar a massa cinzenta que vulgarmente chamamos de cérebro. Só que ao fazerem isso só nos mostram o quão pequenas são.

Longe de mim querer parecer uma pessoa brilhante, estou longe disso. Sou uma pessoa em construção, e quando olho ao meu redor vejo pessoas maravilhosas que me ajudam neste caminho que resolvi traçar. Este ano tive o prazer de conhecer várias pessoas que se ainda não são brilhantes, estão muito próximas de serem. Só pra citar algumas delas digo que trabalho hoje com duas professoras cuja criatividade me impressionam. De-lhes um desafio, elas se unem como duas brilhantes estrelas e transformam tudo em algo mágico. Há ainda uma outra, que com suas mãos é capaz de transformar o lixo em luxo, criando várias peças úteis e bonitas.

Há várias outras, confesso que atualmente são todas professoras. Criativas, cheias de brilho, que não se deixam abater pela não concretização de seus sonhos, mas que são capazes de transformar a adversidade em vitórias. São mulheres incríveis, talhadas com a pesada mão da vida, mas que não perdem a doçura no momento certo, são firmes nos momentos precisos e sabem viver como ninguém. são mães, mulheres, professoras, guerreiras, esposas, noivas, namoradas, amigas, filhas, netas, enfim, vivem todos os personagens que tem que ser nesse palco que é a vida, sem jamais cair do salto, sem olhar muito para trás. E eu as admiro muito, apesar do pouco tempo de convivência, e a cada dia desejo aprender mais com elas.

Longe de mim citar nomes, uma vez que essas pessoas não necessitam de exposição gratuita, mas sei que ao lerem minhas palavras, serão capazes de se identificar. Espero um dia, ter um pouco da criatividade de cada uma delas, transformando o lixo em luxo, tendo criatividade para vencer os desafios que me impuserem. Vivenciando cada segundo de cada vez, sem pressa, sem medo, simplesmente vivendo o que a vida tem a me oferecer, sempre buscando melhorar. Aprendendo a aprender sempre.

Ontem fui pequena, hoje sou mediana, amanhã quero ser grande. Ser um mosaico de todas as vivências que tive e que ainda terei. Quero ajudar a moldar vidas, moldando a minha própria. Quando eu for grande, quero ter todos os nomes de grandes mulheres escritos em mim, para que possa mostrar ao mundo que não precisa ser famoso pra ajudar ninguém, os que mais ajudam a humanidade sequer serão lembrados pelas pessoas pequenas, essas pessoas invejosas e recalcadas, mas serão vistas em cada semente que plantaram e serão lembradas pelos corações que encantaram.

A todos que buscam a iluminação interior e o crescimento, desejo que conheçam pessoas brilhantes e iluminadas como eu conheci. Pessoas que ajudem vocês nessa dura caminhada. E as pessoas brilhantes, à estas eu não digo nada, a não ser obrigada por existirem.


Ela é Bamba

"Então vamos lá!:
Ana, Rita, Joana,
Iracema, Carolina"

Ela é bamba!
Ela é bamba!
Ela é bamba!
Ela é bamba!
Ela é bamba
Ela é bamba!...(2x)

Ela é bamba!
Essa preta do pontal
Cinco filhos pequenos pra criar
Passa o dia no trampo pau a pau
E ainda arranja um tempinho pra sambar

Quando cai na avenida
Ela é demais
Todo mundo de olho
Ela nem aí
Fantasia bonita
Ela mesmo faz
Manda todas
Não erra a mira...

Mãe, passista, atleta
Manicure, diplomata
Dona da boutique
Enfermeira, acrobata...

(Bailábailá)

Bamba!
Ela é bamba!
Ela é bamba!
Ela é bambá!

(Bailábailá)

Bamba!

(Bailábailá)...hei hei heei!


Ela é bamba
Essa índia da central
Vai no ombro
Um cestinho com neném
Oito quilos de roupa no varal
Ainda vende cocada nesse trem

Toda sexta
Ela fica mais feliz
Vai dançar numa boate do Jaú
Faz um jeito
E já pensa que é atriz
Cada dia inventa um nome

Dora, Isaura, Emília
Terezinha e Marina
Ana, Rita, Joana
Iracema e Carolina...

Ela é bamba!
Ela é bamba!
Ela é bamba!
Ela é bamba!
Ela é bamba!
Ela é bamba!...(2x)

Dora, Isaura, Emília
Terezinha e Marina
Ana, Rita, Joana
Iracema e Carolina
Laura, Lígia, Luma
Lucineide, Luciana
Quer seu nome escrito
Numa letra bem bacana...

Ela é bala
A mestiça é todo gás
Cada braço é uma viga do país
Abre o olho com ela meu rapaz
Ela é quase tudo que se diz...

Quando compra uma briga
Ela é demais
Vai no groove
E não deixa desandar
Ela é pop, ela é rap
Ela é blues e jazz
E no samba é primeira linha...

"Vamo lá!:
Laura, Ligia, Luma
Lucineide, Luciana
Quer seu nome escrito
Numa letra bem bacana...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

HÁ MUITO TEMPO ATRÁS

Em julho, o Quatro Estações completou seu primeiro aniversário. no entanto não tive como postar nada. Só pra variar minha vida deu outro giro de 180º, e não tive como escrever. Abandonei meu trabalho para dedicar-me ao sacerdócio da educação. Como em toda mudança, convivi com os prós e os contras, e a cada dia era questionada sobre minha escolha. O volume de trabalho aumentou muito e deixei de ter os finais de semana apenas para o lazer e descanso.
Como falei, tudo na vida tem seus prós e contras. A mudança me trouxe grande felicidade, apesar da dura rotina que tenho agora; além do mais, surgiram outras possibilidades na minha vida. Mas creio que meus leitores não se interessam por meus passos, mas por meus olhares. Então vamos lá...
Numa das minhas viagens para a escola em que trabalho a tarde, dentro do ônibus, parada num sinal de transito, percebi que as pessoas transmitem várias histórias com seu andar. Sou míope e sempre reparo nos detalhes que desprezamos normalmente, porque sem meus óculos preciso de uma referência para me guiar. Na época da faculdade uma das disciplinas era Psicologia Social, com ela aprendi que todos temos uma história pra contar, e que pode ser contada além das palavras ditas. Reparei que os centros das grandes cidades contam histórias para além de sua arquitetura. Há aqueles que andam apressados porque estão atrasados para um compromisso, aqueles que andam apressados por hábito, aqueles que andam devagar observando cada detalhe com atenção, aqueles que andam desconfiados, sempre tensos e muitos outros mais. Reconhecemos um gringo por suas roupas ou por sua estranha palidez, um tanto quanto incomum numa cidade tropical como o Rio de Janeiro. Não que não tenhamos nossos albinos, mas eles tem um jeito peculiar, um jeito... não carioca de ser. Algumas pessoas transparecem de forma mais intensa sua história, enquanto que outras criam um casco tão duro que é mais complicado lê-las.
De qualquer forma, quando andarem pelo centro de alguma grande cidade, façam o exercício de olhar um instante para ler as histórias que cada um é capaz de contar através de seu andar, de seu falar, de seus gestos, entre outras coisas. Imagine quantas vezes essa pessoa pode ter passado ou ainda passará por você sem quer vocês sequer se conheçam. Tente transpor o tempo, o lugar e as convenções, tente imaginar como seria a sua vida se você fosse essa pessoa. Neste momento você será capaz de dizer muito mais sobre a cidade do que apenas lendo os guias turísticos. As cidades não são compostas somente de lugares de trabalho, lugares de lazer, pontos turísticos... as cidades são feitas, principalmente, de pessoas. Pessoas como eu e você. Pessoas comuns, pessoas que tornam as coisas melhores para todos ou apenas para alguns.


Seu Olhar

Seu Jorge

Temos rotas a seguir
Podemos ir daqui pro mundo
Mas quero ficar porque
Quero mergulhar mais fundo

Só de me encontrar no seu olhar
Já muda tudo
Posso respirar você
E posso te enxergar no escuro

Tem muito tempo na estrada
Muito tem
E como quem não quer nada
Você vem
Depois da onda pesada
A onda zen
É namorar na almofada
E dormir bem

Foi o seu olhar
O que me encantou
Quero um pouco mais
Desse seu amor...